Daqui onde estou é um passo a mais na vida
Me desfiz da corrente da amargura
Imaginava: ferida sem cura
Mais forte que qualquer metal já inventado
Me prendeu a ela durante anos
Hoje estou libertado.
Fonte de inspiração, motivo de expressão
Da adolescência chagas ficarão
No coração, no peito
Duma paixão sem leito
Sem pé nem cabeça, por você sofri
Que vergonha... Tanto lamentei, e hoje te esqueci
Me declarei, me rebaixei...
... não fez diferença
"Felicidade um dia!" Essa é a crença
Longe de sua presença
Aqui me encontrei
Hoje, livre, quem sou eu sei.
Água da chuva, vem, molha meu rosto
Toque em minhas lágrimas e as oculte
Disfarce a aparência, uma à sua
Torne-as imperceptíveis por gentileza
Esconda por mim essa fraqueza,
Não transmita a tristeza
Assim minha dor
Será camuflada por sua beleza
Encanta-me, me tira daqui
Amargura ilusória, feita de memórias:
Fatos sem glórias.
Seu frio me acorda, o tremor invade
Transporta-me à realidade...
De volta a meu mundo caio, em prantos
Novamente me engano, na solidão me envolvo
Água da chuva vem, rasga meu rosto.
Durante o caminho sinto na pele
O corpo congela enquanto o coração ferve,
Brasa na neve
É o que recebo
Preço de um erro num passado presente
Valor: pagar eternamente
Sem volta...
Água da chuva pode vim, me afoga.
Olhando reto num cristal feito de areia
Observo externamente a cara da dor
Dum ventre avermelhado desce incolor
Indicando com seu trajeto
O caminho que a minha moral percorreu,
A autoestima se perdeu
Só por Deus...
Perdoa-me Pai, absolva meus pecados
Desculpe por olhares proibidos serem de meu agrado
E muitas vezes outros eu ter procurado
Me sinto culpado
Ferido
Frágil
Fraco
Por que isso me acontece?
Estou entregue.
Sei que tenho de prosseguir
De alguma forma agir, lutar
Esquivar
Enfrentar
Batalhar
E não fugir.
Então Pai, fortaleça-me
Me apóie
Já que não posso recuar, avançarei
E quando for limitado, novamente
Em Ti renascerei.
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